A Enogastronomia foi mote para dois dias de conversa

Decorreu nos passados dias 22 e 23 de outubro, a 1ª edição do Congresso Internacional de Enogastronomia. O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) a par com o Consórcio Minho Inovação, levaram a cabo dois dias dedicados  à Enogastronomia, cujo objetivo foi a  troca de ideias e informações entre diferentes setores.  Joana Santos, coordenadora do projeto, Paulo Sousa, Vereador da Câmara Municipal de Ponte de Lima e Carlos Rodrigues, professor do IPVC deram o mote para o início do Congresso.

No primeiro dia houve um painel dedicado às boas práticas das regiões europeias, que teve a presença de Coimbra, Região Europeia da Gastronomia 2021, East Lombardy, Região Europeia da Gastronomia 2017 e Sibiu, Região Europeia da Gastronomia 2019. Neste painel, os intervenientes demonstraram o processo pelo qual conquistaram a validação destes títulos. Por sua vez, Bruno Caldas, primeiro Secretário do Secretariado Executivo Intermunicipal da CIM Alto Minho. assumiu a posição de moderador. Para Bruno, “este tipo de iniciativas, que congregam para além das comunidades intermunicipais, um conjunto de entidades. empresários e investigadores na área da gastronomia e dos vinhos é importante no sentido de  criar uma imagem territorial do Minho que o promova enquanto destino turístico, associado à valorização dos produtos endógenos”.

Ao almoço, as boas práticas de Guimarães fizeram-se sentir com a apresentação de vários pratos por parte do restaurante “Cor de Tangerina”. Liliana Duarte e Álvaro Dinis são dois chefes que há 15 anos se dedicam à cozinha vegetariana e vegana, mas não só, sobretudo dedicam o seu tempo e trabalho na procura de produtos locais e sazonais e na proximidade com o produtor.

A apresentação do evento, que se realizou no refeitório dos frades da Escola Superior  Agrária de Ponte de Lima, promoveu o debate entre os vários convidados e palestrantes. Prova disso foi a intervenção da Eng. Ana Soeiro num painel sob o mote “Enogastronomia como um fator de desenvolvimento”, destacando a ambiguidade nos termos “certificação” e “qualificação”. Para a engenheira, este é um erro frequente no processo de qualificação dos produtos, mas com a sua intervenção quis evidenciar que estas iniciativas servem para “desmistificar alguns pontos e alertar quem está a pagar por uma certificação que está a ser enganado”. Ana Soeiro dá ainda um exemplo que clarifica a questão: “É como no futebol, as  equipas querem qualificar-se para uma final e não certificar-se para uma final”. Ainda neste painel intervieram Manoel Batista da NUTRIR e Carolina Osório da Quinta de Soalheiro.

O segundo dia começou com a apresentação de vários municípios da região minhota, com o propósito de apresentarem as suas boas práticas. Joaquim Mamede Alonso assumiu o papel de moderador deste painel.

Por sua vez, António Loureiro também demonstrou que a sazonalidade e o desperdício zero, fazem parte da lista de ingredientes d’A Cozinha. Enquanto o chef de Guimarães servia o almoço, Anabela Ramos narrava a evolução das gastronomia desde o século XVI até então.

Foi ainda apresentado o tão ansiado Referencial Gastronómico do Minho. Este é um documento que, mais do que um receituário, pretende mostrar a importância da valorização dos produtos endógenos da região. Ao todo foram recolhidas mais de 1000 receitas, que foram reduzidas a metade. Desta forma, a professora Joana Santos, coordenadora do projeto, explica que “foi uma forma de evitar a duplicação de receitas”. 

“Com a criação deste referencial gastronómico foi possível alavancar alguns dos produtos endógenos dos 24 municípios. De alguma forma, foi possível cada município trabalhar um produto,  posicioná-lo e trabalhá-lo, para posteriormente, qualificá-lo”, refere Bruno Caldas sobre a apresentação da carta gastronómica.

Paulo Sousa, Vereador da Câmara de Ponte de Lima, Beraldino Pinto, Vice-Presidente do CCRN-Norte e Manuela Vaz Velho, diretora do CISAS e Isabel Vallin, diretora da ESA encerraram o congresso com a certeza de que iniciativas como esta , são uma mais valia para o desenvolvimento da enogastronomia.

A Feel Agency fez a gestão de conteúdos durante todo o processo de construção do referencial gastronómico.

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