Minho: Um Património de Sensações

O conhecimento do território e, em particular, das suas populações faz-se através da valorização dos seus usos e costumes, das suas tradições e património. O Minho é, também nesse contexto, um exemplo diverso e rico, como exemplifica, no domínio da gastronomia, a
atribuição, em 2016, do galardão Minho- Região Europeia da Gastronomia, pelo IGCAT (Instituto Internacional de Gastronomia, Cultura, Artes e Turismo). Através do consórcio Minho Inovação, constituído pelos 24 Municípios do Minho e a sua relação com o IGCAT, promove-se a região numa perspetiva de consciencialização sobre a sua singularidade cultural e alimentar, estimulando a criatividade e a inovação gastronómica, melhorando os padrões de turismo sustentável e fortalecendo as comunidades e o seu bem-estar.

Relembremos Francisco Sampaio: “Costuma-se dizer que cozinhar é uma arte. No Minho, onde o artesanato é tratado / promovido como arte, as receitas tradicionais estão sendo protegidas e a gastronomia é classificada como património nacional”. Aliando o receituário tradicional e a valorização dos produtos locais à inovação e a criatividade, o Minho emerge, atualmente, na denominada economia da experiência, com o turismo num protagonismo relevante, surgindo novas atividades e serviços que envolvem consumidores cada vez mais exigentes, transformando-os em cocriadores e coprodutores das próprias experiências gastronómicas.

Tendo em conta que Portugal é, de acordo com o Fórum Económico Mundial, o 12º destino turístico mais competitivo do mundo, o projeto “Minho, como Região Europeia da Gastronomia 2016” desempenhou (e ainda desempenha) um papel importante na promoção do território resultado da ação combinada das suas diferentes dimensões: cultural, tecnológica, produtiva e turística. O Minho, agindo localmente através da valorização da sua gastronomia e ao apoio às culturas e tradições locais, compromete-se a trabalhar de forma colaborativa para capitalizar a crescente convergência dos setores agro-alimentar, cultura e turismo. Nesta emocionante transformação, que acontece a um nível local, promove-se o desenvolvimento regional dando a toda a região uma dimensão global, fundamental para uma sociedade de rápido conhecimento e profundamente tecnológica.


O Instituto Politécnico de Viana do Castelo, parceiro da Minho Inovação, desenvolveu o Referencial Gastronómico do Minho. O seu objetivo é o de caracterizar e diferenciar a gastronomia do Minho, permitindo divulgar o receituário, valorizando genuinidade e reduzindo os riscos de deturpações, quer de receitas tradicionais ou bem das mais contemporâneas. Com o contributo dos 24 Municípios do Alto Minho e das Associações de Desenvolvimento Local, surge um documento “vivo”, a ser publicado em outubro de 2021, que dá a conhecer os produtos, os alimentos, as práticas e as histórias que lhes estão associadas. Estarão presentes três dimensões nesta investigação: os produtos, com referencia à sua origem e métodos de preparação; a socialização à volta da mesa, com narrativa, e o conhecimento e sensações. Como Gastronomia é um processo evolutivo, não se pretendo torna-la estatística de memórias preso num “museu” do tempo, o contributo de todos é fundamental para transpormos a História. Será, este, um contributo inicial dedicado a esta temática e o início de um ciclo de artigos dedicados à Gastronomia Minhota, à sua importância no desenvolvimento de uma região que se quer cada vez mais (social, económica e ambientalmente) sustentável.

Texto da autoria de Joana Santos e Nuno Vieira e Brito, Coordenadores da Carta Gastronómica do Minho

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