MYCA 2020. Tradição de Barcelos ganha concurso de gastronomia minhota

A terceira edição do MYCA – Minho Young Chef Awards aconteceu nos dias 20 e 21 de Novembro e 17 de dezembro e, pela primeira vez, foi realizada na capital minhota, Braga. Esta edição contou não só com a atribuição do prémio de melhor Chef de Cozinha, mas também com o prémio de melhor Chef de Sala e Bar da região.

Em 2020, o MYCA quer promover a identidade gastronómica da região minhota junto dos jovens que estudam o universo gastronómico, desde cozinheiros a bartenders e chefes de sala.  “Nós sabemos que é cada vez mais importante para o turismo, para a gastronomia e restauração, a qualificação dos seus quadros. O que o consórcio pretende com este concurso é a valorização destas profissões e tentar nivelar por cima estas duas componentes dentro de um restaurante. Se nós tivermos um bom Chef de Cozinha, precisamos de um bom Chef de Sala”, refere Rafael Oliveira, responsável pela organização do MYCA.

A semifinal, 20 e 21 de novembro, foi marcada pela presença de oito escolas da CIM do Ave, CIM do Alto Minho e CIM do Cávado que disputaram um lugar de Chef de Cozinha e Chef de Sala e Bar na final do concurso, dia 17 de dezembro.

José Costa, presidente da CIM do Alto Minho, conta que decisão acerca da realização deste evento numa situação atípica de pandemia foi unânime entre o consórcio porque “esta iniciativa além de promover a identidade gastronómica da região do Minho é também importante porque promove o ensino profissional nos cursos de técnico de cozinha, sala, bar, ao longo das inúmeras escolas dos 24 munícios”.

A primeira etapa da prova de Chef de cozinha foi a confeção de uma receita, tradicional ou não, em que o ingrediente principal é o bacalhau.

“Entendemos que esta região tem um grande ativo na sua gastronomia e de entre os vários recursos turísticos que nós podemos promover como fator de atração para este território, a gastronomia é inquestionavelmente uma dimensão muito relevante, muito distintiva e muito qualificada”, explica o presidente da CIM do Cávado, Ricardo Rio.

Andreia, Cátia, André, Pedro, Bento e Mário foram os finalistas da terceira edição do MYCA. Dos 16 jovens concorrentes das escolas profissionais do Minho, estes foram os nomes selecionados para a competição que elege o melhor de cozinha minhota e de chef de Sala e Bar do Minho para a final do MYCA que decorreu no dia 17 de dezembro em Braga.

A final realizou-se no recentemente inaugurado Mercado Municipal de Braga, numa tentativa de aproximação dos produtores locais aos jovens chefs de cozinha. “A possibilidade de fazer o MYCA num mercado municipal como o de Braga é levar o concurso para o seu habitat natural. O Projeto MYCA tem como um dos principais objetivos a utilização dos produtos endógenos, regionais e sazonais. Não há melhor sítio que os mercados municipais para encurtar a relação de quem produz com quem vai cozinhar”, explica Rafael Oliveira, responsável pela organização do MYCA.

Durante 20 e 21 de novembro, os jovens tiveram oportunidade de mostrar o seu talento ao grupo de jurados. Da região do Ave, a escola Martins Sarmento foi a vencedora na prova de cozinha com o aluno Bento Silva de 17 anos. Do Alto Minho, o aluno da ETAP, Pedro Cruz, de 18 anos, ganhou a prova de cozinha. Já na prova de Sala e Bar, Cátia Gonçalves, de 25 anos, da Escola de Hotelaria e Turismo de Viana do Castelo foi a premiada. Do Cávado, a Escola Amar Terra Verde foi a grande vencedora. Leva à final de Sala e Bar a aluna Andreia Costa, 18 anos, e na prova de cozinha, o André Carvalho, de 17 anos. Pela primeira vez em concurso, a Profitecla de Braga leva o Mário Gonçalves à prova de Sala e Bar.

Coube ao chef António Loureiro apresentar os vencedores na área de Cozinha. O Sommelier Hélder Costa ficou responsável por anunciar os jovens de Sala e Bar. “Num ano tão atípico, este tipo de concurso é muito importante para os estes estudantes. Fico orgulhoso dos pratos que vi”, comenta o presidente de júri, chef António Loureiro.

Num primeiro momento, os concorrentes são convidados a preparar um prato tradicional, como seria apresentado nas suas casas ou nos restaurantes locais. Os alunos devem explicar a sua interpretação da história e da apresentação do prato, sobre a sua origem e a ligação do prato ao seu território local.  Num segundo momento de avaliação, devem preparar uma versão inovadora do prato anterior que seja demonstrada de forma eficaz ao júri. Ao mesmo tempo, os colegas de Sala e Bar estiveram em prova. Num primeiro momento, realizam a montagem e gestão de mesa, serviço de vinho e harmonização e mesa com empratamento. A segunda etapa será a prova de cafetaria, elaboração de um cocktail, prova de cerveja e harmonização com um petisco.

“Esta será uma experiência fantástica e ao mesmo tempo um desafio. Não é muito comum em Portugal, usar os mercados municipais para este género de eventos, mas acredito que o futuro passará por usufruir mais deste tipo de infraestruturas. No Minho, há já alguns mercados renovados, como o de Braga, e outros em fase de renovação, e isso é fantástico.”, explica Rafael Oliveira, da organização. “Tem havido uma aposta do Consórcio Minho IN na gastronomia através da formação dos jovens estudantes das escolas de hotelaria, restauração, bar. E o Minho Young Chef Awards é prova viva disso”, explicou Joana Peixoto, da CIM Cávado, anfitriã pelo evento este ano.

Um galo marinado em vinho verde, esparregado, crocante de batata e um pickle de cebolinha deram o primeiro lugar a Pedro Cruz no Minho Young Chef Awards 2020. O jovem de 18 anos foi o grande vencedor do evento que juntou o talento dos estudantes de gastronomia da região minhota. Pedro Cruz, da ETAP, foi o vencedor da categoria de Chef de Cozinha, com o prato inovador “Galo Contradição”. Pedro inspirou-se na cidade de Barcelos e na primeira refeição que confecionou com o avô. “Escolhi o usar o galo para representar a minha cidade e para honrar o meu avô e o primeiro prato que cozinhei com ele”, explica.

A Andreia Costa, da Escola Profissional Amar a Terra Verde, foi a vencedora da categoria de Chef de Sala e Bar. O “Cocktail Jardim de Amores” foi o elemento preferido da jovem de Vila Verde, confecionado com vinho verde, Gin Valley e um xarope de laranja.

Esta edição contou ainda com a atribuição do Prémio Território ao André Carvalho que confecionou uma sopa seca à moda do Minho porque, explica o jovem, “é um prato pouco conhecido mas que representa muito bem a região minhota”.

O domínio técnico e do storytelling foi fundamental para a atribuição do prémio ao Pedro. “O Pedro foi um concorrente que se destacou pela originalidade, técnica e preservação dos sabores e aromas tradicionais”, explica António Loureiro, presidente de júri.

O chef estrela Michelin, António Loureiro, foi um dos membros dos júris que avaliou os seis pratos que os três participantes executaram. O restante júri de cozinha foi composto pelo chef Renato Cunha, chef Francisco Pavão, chef José Vinagre, Carlos Fernandes, Rui Miguel e pelo vencedor MYCA 2019, Rui Meira.

Este ano, o MYCA contou com novos prémios: o Melhor Serviço de Mesa para Mário Gonçalves, a Melhor Harmonização de Vinho e Cerveja para a Andreia Costa e o Melhor Serviço de Cafetaria para a Cátia Gonçalves. Os prémios foram oferecidos pela Letra, Soalheiro, Cafés Christina e Novumdux.

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